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Escritórios coletivos crescem no Brasil e se especializam

Espaços de ‘coworking’ facilitam troca de informações e de serviços entre empreendedores que estão começando

FELIPE MAIADE SÃO PAULOLILO BARROSCOLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Os espaços de “coworking”, que reúnem profissionais autônomos e empresas iniciantes em um ambiente de trabalho comum, passam por uma fase de especialização no Brasil

A proposta desses locais é alugar um espaço para que esses profissionais possam trabalhar, com direito a internet, telefone e locais para reuniões, a valores menores do que os exigidos em um escritório convencional -a taxa cobrada por uma vaga nesses espaços pode chegar a R$ 1.500 por mês, dependendo do plano escolhido.

Há lugares tanto para profissionais “freelancers”, que não querem trabalhar em casa, por exemplo, quanto para empresários com poucos funcionários.

A ideia inicial era abrigar em um só teto pessoas de diferentes setores, mas alguns desses negócios estão optando por juntar somente pessoas com afinidades e interesses comuns.

O The Hub, em São Paulo, é um exemplo. Lá, só são aceitas empresas que desenvolvam trabalhos de cunho social ou ambiental.

“O interesse pelo mesmo assunto facilita a geração de parceiras”, afirma Henrique Bussacos, fundador do Hub.

Penélope Valente, 26, da Windeo, do ramo de energia solar e eólica, confirma que no espaço as pessoas “se ajudam muito, mesmo que não participem do projeto”.

No espaço de “coworking” Cartel 011, em São Paulo, a especialidade é nas áreas de design e moda.

O supervisor do espaço, Frederico Feijó, explica que houve uma “seleção natural” na escolha dos integrantes.

“O Cartel começou como um espaço de eventos e loja. O público do [escritório de] ‘coworking’ é o mesmo que já frequentava o local”, diz.

Ele considera que os negócios que se estabeleceram lá se beneficiam dos eventos que o escritório organiza.

Ariela Dorf, 24, da Gazpacho, uma produtora de vídeos de moda, diz que pesquisou muito até encontrar um local que se encaixasse no perfil de sua empresa.

Ela considera que se o ambiente tivesse pessoas de outras áreas áreas “que não têm nada a ver com esse tipo de trabalho” seria mais difícil levar um cliente até lá.

SOBRIEDADE

Enquanto alguns escritórios coletivos investem em setores específicos, outros apostam em atrair determinados perfis de clientes. O CWK, que funciona há dois anos em Belo Horizonte e abriu uma filial em São Paulo em 2012, posiciona-se como um espaço de “coworking” “menos bicho-grilo”, nas palavras da sócia Paula Camanho.

“Antes de abrir a unidade de São Paulo, eu fui em quase todos os meus concorrentes e senti que todo mundo trabalhava mais ou menos do mesmo jeito, com ambiente mais descontraído, paredes coloridas e lugares para relaxar”, afirma Camanho.

O CWK tem cara de escritório, com baias delimitadas e mobiliário sóbrio. A empresária diz que isso se reflete no tipo de pessoa que frequenta o local. “Uma vez eu recebi um consultor de gastronomia todo tatuado, descolado, senti que ele não se identificou com o lugar”, conta.

Entretanto, há críticos dessa segmentação. Fernanda Nudelman, fundadora do escritório coletivo Pto de Contato, em São Paulo, diz não acreditar em “‘coworkings’ de nicho”. “Isso pode gerar concorrência entre as pessoas que estão ali e um certo conflito de interesses”, afirma.

Para ela, a diversidade é um dos aspectos mais interessantes de frequentar esse tipo de lugar. “O mais legal é buscar na mesa ao lado alguém que tenha um conhecimento que te falta”, opina.

Nudelman afirma que o local abriga profissionais de diferentes áreas, mas praticamente todos têm em comum o fato de estarem empreendendo. “Houve uma mudança de atitude. A pessoa não diz que está fazendo trabalhos ‘freelancer’, mas sim que está empreendendo, tentando crescer, agregar pessoas e criar uma marca para ela.”

Esse estímulo ao empreendedorismo é levado ao extremo no escritório coletivo Plug N’Work, que fica na zona sul de São Paulo. Os donos do local têm como foco a criação de negócios e inclusive investiram dinheiro em uma das empresas que usa o espaço. “O negócio do ‘coworking’, de apenas fornecer cadeiras, não é tão interessante para nós”, afirma Wilbert Sanchez, sócio do escritório.

Ele diz que os sócios da companhia, que têm experiência na administração de grandes empresas, costumam fazer reuniões de negócios com os empreendedores que se instalam no local, que também promove competições entre as start-ups (empresas iniciantes de base tecnológica) presentes ali.

SEM DISTRAÇÃO

Segmentados ou não, esses locais podem ajudar a elevar a produtividade dos profissionais.

Uma pesquisa global feita no fim do ano passado pela revista norte-americana Deskmag, especializada em espaços de “coworking”, indica que 68% dos usuários se concentram melhor no trabalho e que 64% conseguiam cumprir melhor os prazos.

Francisco Burckas, 30, começou a atuar como consultor financeiro autônomo no ano passado e ocupa um desses escritórios.

Ele diz que sente uma diferença “gritante” em relação a trabalhar em casa. “Você precisa educar sua família, ou ela fica pedindo para que você faça 15 mil coisas, como se estivesse sem fazer nada. Ao ir para o seu espaço, você acaba com isso”, conta.

Ele também cita como benefício poder utilizar os serviços das atendentes do escritório, que transmitem recados quando ele não está lá, e o fato de não precisar se preocupar com itens como limpeza, luz e aluguel de um escritório convencional.

Recorrer a esse tipo de espaço também ajuda a estabelecer parcerias. Juliano Kimura, 32, diretor-executivo da agência de publicidade Trianons, mantém uma estrutura enxuta, com oito funcionários, mas costuma contratar colegas de espaço para realizar trabalhos esporádicos.

“Se eu estivesse em um escritório fechado, eu teria de ligar e orçar. Aqui eu tenho tudo à mão. Isso me dá flexibilidade estrutural.”

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/carreiraseempregos/90741-escritorios-coletivos-crescem-no-brasil-e-se-especializam.shtml

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