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Incomodados em ver bons projetos desperdiçados por falta de dinheiro, cinco jovens – três gaúchos e dois paulistas – começaram a trocar ideias pela internet. O objetivo era entender como funcionava um conceito relativamente novo batizado de crowdfunding. “O nome parecia difícil, mas no popular podemos dizer que se trata de uma vaquinha virtual”, afirma Diego Reeberg, 24 anos, formado em administração de empresas pela FGV-SP e um dos pioneiros do crowdfunding no Brasil.

Diego Reeberg: objetivo era funcionar como um canal de captação de recursos para projetos de R$ 5 mil a R$ 15 mil

Diego Reeberg: objetivo era funcionar como um canal de captação de recursos para projetos de R$ 5 mil a R$ 15 mil

A pesquisa durou cerca de um ano, justamente o período de explosão dos sites de compras coletivas no país. A novidade ajudou os jovens a tocar o próprio negócio, pois desbloqueou o preconceito dos brasileiros em comprar em grupo pela internet.

O Catarse foi para o ar em 17 de janeiro de 2011, configurando-se como o primeiro site de crowdfunding 100% nacional. O objetivo era funcionar como um canal de captação de recursos para projetos criativos que necessitavam entre R$ 5 mil e R$ 15 mil para começar, quantia que não desperta a atenção de fundos de investimento e que custa caro nos bancos.

No início eram cinco projetos, dois deles para plataformas de internet – Ajude um repórter para conectar jornalistas e fontes -, e a Rabiscaria, que comercializa produtos com estampas criadas por artistas plásticos. Um ano depois, o Catarse já somava 278 projetos, a maioria nos Estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo, com uma média de 100 apoiadores por iniciativa. Hoje, são cinco novos por semana, com 92 propostas no ar e 293 projetos bem-sucedidos, com um total de R$ 3.692.264 arrecadados por meio de 35.414 apoiadores.

“Ao longo desses quase dois anos de operação foram 132 projetos não realizados, que arrecadaram 11% da meta estabelecida inicialmente. “No Catarse é tudo ou nada”, afirma Reeberg.

Na prática, o Catarse funciona assim: a pessoa envia o projeto, diz quanto precisa e até quanto quer arrecadar o dinheiro. Aí o autor divulga o projeto e as pessoas podem apoiar com qualquer valor a partir de R$ 10 e receber recompensa por isso. Se a meta for batida no tempo determinado, o cliente recebe o dinheiro. Se a quantia desejada não chegar, todos os apoiadores recebem o dinheiro aplicado de volta. O Catarse cobra 7,5% sobre o valor dos negócios que atingiram a meta de captação. No primeiro ano, a empresa, de oito funcionários, faturou R$ 140 mil e, em 2012, a expectativa é somar R$ 300 mil.

De acordo com Reeberg, são bem-vindos projetos artísticos (artes plásticas, circo, dança, filmes, fotografia, música, teatro) e projetos criativos que surjam em campos como alimentação, design, moda, tecnologia, jogos, quadrinhos, jornalismo, entre outros. “O projeto com maior arrecadação foi ‘Belo Monte Anúncio de uma Guerra’, com um total de R$ 140.010,00, mobilizando 3.429 pessoas”, afirma o sócio.

Entre os seus preferidos estão o Cúpula dos Povos, na Rio+20, que mobilizou 3.600 pessoas, com média de contribuição de R$ 13, e o Pinte My Carroça, ideia de um grafiteiro que reformou carroças na Virada Sustentável de São Paulo, pintando em cada uma delas a frase: “O meu trabalho vale mais do que o do Ministro do Meio Ambiente”. O projeto precisava de R$ 38 mil e arrecadou R$ 64 mil. (KS)

Fonte: http://www.valor.com.br/financas/2847534/catarse-e-o-primeiro-100-nacional#ixzz27lU7Cm7h

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