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Modalidade de trabalho em que vários profissionais dividem o mesmo espaço vem crescendo no país e já conquista mineiros que visam redução de custos

Em um único escritório há arquitetos, jornalistas, consultores, empresários, advogados e outros profissionais. Eles dividem o espaço, mas cada um trabalha de forma independente, seja realizando reuniões e atendendo clientes, seja desempenhando grande parte da atividade de uma empresa. Os escritórios convencionais, onde cada profissional se instalava e arcava com todas as despesas, está dando lugar às salas compartilhadas, em um modo de trabalho denominado coworking.

Nesses espaços, normalmente há salas para reuniões e para uso individual, estações de trabalho, além de telefone, internet e serviço de recepcionista. O cliente pode contratar por hora de uso ou um pacote mensal, por exemplo. A moda surgiu nos Estados Unidos há oito anos e se espalhou pelo mundo. E no Brasil não poderia ser diferente. A maior parte dos escritórios compartilhados está concentrada nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, mas Minas Gerais já abriga alguns espaços do tipo, que, aos poucos, estão se destacando no mercado de negócios.

Ao que tudo indica, essa modalidade de trabalho está crescendo no estado. Foi o que sentiu Renata Salles, proprietária da For Job, que funciona no Bairro Funcionários, Região Centro-Sul da capital. Ela fundou o escritório há um ano e cinco meses e já notou aumento de cerca de 70% na procura. “O mercado mineiro, a princípio, é um pouco resistente a essas novidades. Mas este ano senti uma aceitação maior”, diz. O proprietário do Desk Coworking, cuja sede fica no Santa Efigênia, Região Leste de BH, Paul Leite, faz a mesma avaliação, mas ressalta que é um projeto que precisa ser mais difundido nas terras mineiras. “Em São Paulo, por exemplo, vingou. E lá realmente está bem avançado. Em BH, senti o mercado um pouco retraído na época que inaugurei o Desk, porque é uma forma de trabalhar desconhecida, um mercado que ainda precisa ser lapidado. Porém, por aqui, o pessoal já está procurando”, pontua o empresário, que fundou o escritório há 11 meses.

Uma das maiores vantagens, segundo proprietários, clientes e especialistas, é o custo/benefício, uma vez que o indivíduo vai usar toda a estrutura de um escritório comum sem se preocupar com questões burocráticas como aluguel, documentação, pagamento de funcionários, entre outros serviços. O próprio escritório compartilhado vai oferecer isso para ele. “A vantagem é a redução de custos, pois é mais barato do que alugar sala, contratar telefonista, pagar conta de luz, aluguel e condomínio”, afirma Bruna Lofego, proprietária da CWK Coworking, que funciona na Savassi, Região Centro-Sul da capital. Ela conta que abriu uma filial da empresa recentemente em São Paulo.

VANTAGENS

Como profissionais de diferentes áreas estão reunidos em um único espaço, um dos fatores mais benéficos de utilizar escritórios compartilhados é aumentar a rede de contatos. Eles costumam trocar experiências entre si e até fechar negócio. “Há o benefício social de a pessoa ter um networking (rede de contatos) e estar com profissionais de várias áreas, fazendo negócios entre si”, completa Bruna.

Segundo estudo realizado em 2011 pela Deskmag, revista americana sobre coworking, 58% das pessoas pesquisadas trabalhavam em casa antes de usar um serviço compartilhado. Muitas delas são empreendedoras ou funcionárias de pequenas e médias empresas. A sócia-proprietária da Xsete Coworking, sediada em Betim, na Região Metropolitana de BH, Carolina Venâncio, destaca outro benefício sob esse ponto de vista. Para ela, ao trocar o ambiente de casa por um escritório compartilhado, o indivíduo pode usar um espaço cujo foco será apenas o trabalho. “É uma forma bem prática e sem burocracia de começar a trabalhar, além de fazer networking, porque o escritório compartilhado está entre o escritório convencional e trabalhar em casa. Na segunda opção você acaba não tendo a mesma produtividade, pois muitas coisas podem distraí-lo. No escritório convencional, você trabalha de forma isolada, quase não tem contatos. Já no compartilhado, você consegue aumentar a gama de relacionamentos”, frisa.

Ainda segundo dados do estudo, mais de 50% dos espaços de coworking estão concentrados nos Estados Unidos e na Europa. No ano da pesquisa, havia 1.130 espaços compartilhados em todo o mundo e a estimativa era de que o ano passado teria terminado com aproximadamente 2.150, um crescimento de quase 100%.

 PALAVRA DE ESPECIALISTA

JOÃO BONOMO

Professor de Empreendedorismo do IBMEC

Risco menor

“São várias as vantagens de usar um escritório compartilhado, ou seja, trabalhar no modelo coworking. A proposta de redução de custo é muito positiva nesse momento. Ele oferece suportes administrativo, gerencial e até mesmo operacional. Permite a elaboração de rede de relacionamento bastante fortificada e interessante, algo primordial em um escritório compartilhado. Sendo coworker, você não tem a necessidade de ter um registro civil da empresa e é um espaço onde a pessoa pode modelar a ideia dela. Não há por que existir desvantagem nesse tipo de empreendimento, pois tudo conspira a favor. É um modelo de negócio para beneficiar novos empreendedores e essa pegada tem um ar de jovialidade e o risco de dar errado é menor. Para essa moçada que tem chegado ao mercado de trabalho, se o ambiente puder diminuir o tamanho do risco, ela vai acabar se arriscando mais. Além disso, o gestor de coworking é uma figura que deve se prontificar a auxiliar os usuários não somente na ideia, mas também naquele intangível que é relacionar-se e capacitar-se.”

Fonte: Jornal Estado de Minas – Caderno Negócios & Oportunidades – 19/05/2013

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